Rumos da geologia e mineração foram debatidos em evento no Sinduscon-BA
Com o objetivo de promover um amplo debate técnico e estratégico sobre o setor mineral baiano e nacional, especialistas se reuniram no evento Geologia e Mineração 360°: Fronteiras Minerais, nesta terça-feira (3), no Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA). Na presença de profissionais e estudantes da área, foram discutidos os desafios e as perspectivas em torno da mineração.
A iniciativa, que teve o apoio do Sinduscon-BA e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), foi organizada pela Associação Baiana de Engenheiros de Minas (Abem) e Associação Baiana de Geólogos (ABG). Os presidentes das respectivas entidades, Ezequiel Pinheiro de Barros e Vinícius Benevides Schirmer – também conselheiros do Crea-BA –, conduziram a abertura dos trabalhos.

A primeira palestra foi uma apresentação técnica da Província Metalogenética do Norte do Estado da Bahia, ministrada pelo geólogo de exploração da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Luís Fernando Cavalcante. Na oportunidade, ele detalhou as características geográficas, geológicas e tecnológicas da região, bem como o seu potencial exploratório dos recursos minerais.
Entretanto, o geólogo focou sua apresentação no Bloco Campo Alegre de Lourdes, no qual se encontram depósitos de ferro, titânio, vanádio, níquel, cobre, cobalto, grafita e fosfato. “A província é composta de três blocos: o Bloco Casa Nova, o Bloco Remanso-Lagoa do Alegre e o Bloco Campo Alegre. Os dois blocos, Remanso e Casa Nova, basicamente têm depósitos de ferro”, explicou Luís Fernando.

Representante do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a engenheira de minas Aline Nunes abordou o panorama atual do setor mineral no País e no mundo, seu papel na transição energética e seus desafios, como o enfrentamento das mudanças climáticas. Ademais, ela elencou os principais dados macroeconômicos aplicados ao setor mineral em nível nacional.
“Em 2024, nossas exportações atingiram US$ 43 bilhões. A maior parte do volume exportado é do minério de ferro, em toneladas. Nós produzimos cerca de 93 tipologias, mais de 221 mil empregos diretos, sem contar com os indiretos. E, ao longo da cadeia, passamos de 2 milhões de empregos”, disse, citando que a mineração ocupa uma área equivalente a 0,052% do território nacional, além de ser responsável por 4% do nosso Produto Interno Bruto (PIB).
A representante do Ibram elencou ainda informações sobre a produção mineral em âmbito mundial, liderada pela China, Estados Unidos, Rússia e Índia. “A China domina, na extração mineral, pelo menos 28 bens minerais no mundo. De todas as ligas à base de ferro produzidas, 97% em toneladas são referentes a ferro, e o restante são as outras ligas”, ponderou.

Os desafios e as oportunidades dos minerais críticos e estratégicos brasileiros foram explanados pela geóloga Lila Costa Queiroz, do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Ela destacou que o País está entre os maiores produtores globais de minério de ferro, nióbio e bauxita, possui vasto potencial geológico e detém reservas significativas de minerais críticos e estratégicos, além das demandas por estes na transição energética.
“A tendência é que tenhamos um crescimento nas duas tecnologias mais renováveis, tanto eólica quanto solar, e isso vai implicar demandas por minerais críticos e estratégicos. Todas essas tecnologias, principalmente de baterias, eólicas e solares, requerem uma gama de minerais e minérios que ainda precisam ser minerados, ou seja, não podem ser reciclados necessariamente”, afirmou Lila.
Texto: Hugo Gonçalves
Fotos: Hugo Gonçalves e Pablo Ramos