Crea-BA realiza 1º Encontro Jovem Engenheiro e fortalece diálogo com novas gerações de profissionais
A engenheira civil Késsia Machado, de Irecê, percorreu 478 quilômetros para participar do 1º Encontro do Programa Jovem Engenheiro, realizado nesta quinta-feira (6), no Hotel Mercure, em Salvador. Formada há três anos e pós-graduanda em Segurança do Trabalho, Késsia simboliza o engajamento dos profissionais do interior.
“Soube do evento em outro encontro do setor da construção e decidi vir. Cheguei às cinco da manhã em Salvador só para não perder esse momento”, relatou. “Os palestrantes têm muito a oferecer, e esse tipo de iniciativa ajuda a gente a enxergar a profissão de forma mais ampla. Quero aprender mais sobre empreendedorismo e parcerias, porque acredito que os engenheiros não devem se ver como concorrentes, mas como parceiros que crescem juntos.”

Késsia está entre os quase 60 jovens participantes do evento promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA). A iniciativa aproxima o Conselho das novas gerações da Engenharia, Agronomia e Geociências, com foco em capacitação, valorização profissional e troca de experiências.
Implantado na gestão do presidente Joseval Carqueija, o Programa Jovem Engenheiro busca acolher e preparar profissionais recém-formados para os desafios do mercado, promovendo ações voltadas à inserção profissional, inovação e empreendedorismo. “O Conselho quer estar próximo dos profissionais recém-formados, promovendo intercâmbio, networking e debates sobre os desafios que as nossas profissões enfrentam em um mercado cada vez mais competitivo”, afirmou Carqueija.
Durante o encontro, o chefe da Divisão de Relações Institucionais do Crea-BA, Matheus Amorim, ressaltou o caráter inovador e participativo do programa. “O Crea tem 91 anos de história, mas está cada vez mais jovem. Nosso objetivo é ouvir os profissionais que estão iniciando suas carreiras e entender de que forma o Conselho pode contribuir com as demandas reais de cada área. Esse evento é um espaço de crescimento, valorização e fortalecimento de rede entre jovens engenheiros de todo o estado”, destacou.
Programa Jovem Engenheiro
Coordenado pelo engenheiro civil Gildeon Sena, o programa foi criado com o propósito de acolher, capacitar e conectar engenheiros e agrônomos com até dez anos de formação, aproximando-os do sistema profissional. “O Jovem Engenheiro nasceu do desejo de aproximar o Conselho das novas gerações. Queremos mostrar que o Crea é mais do que um órgão de registro: é um espaço de pertencimento, de troca e de construção conjunta de políticas para o futuro da engenharia na Bahia”, afirmou Gildeon. O coordenador explicou ainda que o programa é estruturado em cinco frentes estratégicas, conduzidas por jovens profissionais que representam a diversidade das modalidades da engenharia. A ideia é criar um modelo colaborativo, em que cada área contribui com ações voltadas à realidade do seu público.
À frente da Coordenação de Eventos, a engenheira ambiental Cristine Guimarães destacou o papel integrador da iniciativa. “O Jovem Engenheiro é uma porta de entrada para o sistema. Muitos profissionais recém-formados ainda não conhecem o Crea, nem as entidades de classe das suas modalidades. Nosso papel é acolher, informar e fortalecer esses vínculos”, explicou.
O engenheiro João Vitor, coordenador de Empreendedorismo e Emprego, reforçou a importância de estimular novas trajetórias. “Muitos engenheiros recém-formados ainda se sentem perdidos sobre qual caminho seguir. O programa ajuda a mostrar possibilidades: empreender, continuar estudando, prestar concurso. Queremos orientar e inspirar essa geração”, disse.
Expectativas e conexões
O estudante de Engenharia Elétrica do Senai Cimatec, Yuri Carvalho, de 20 anos, tem boas expectativas para a profissão e fez questão de participar do 1º Encontro para ampliar seu conhecimento e conexões.
“Sou aluno bolsista e estou no segundo semestre. Vi o convite para o evento no grupo da universidade e não pensei duas vezes. É uma oportunidade incrível de fazer networking e entender melhor o mercado que me espera”, contou Yuri, que também conheceu o Crea por meio do curso técnico em Eletrotécnica. “A gente aprende desde cedo a importância da responsabilidade técnica, e isso desperta o interesse em conhecer o Conselho e o papel que ele tem na nossa formação.”

A coordenadora de Capacitação do Jovem Engenheiro, Layla Costa, destacou que o programa está realizando um diagnóstico sobre o perfil dos participantes e as necessidades das diferentes regiões. “Estamos estudando onde há maior concentração de jovens engenheiros e quais são suas principais demandas. Percebemos, por exemplo, um grande engajamento do público do interior, especialmente em cidades como Barreiras e Irecê. Nosso desafio é equilibrar ações presenciais e online para alcançar todos os territórios”, afirmou.
À frente da Coordenação de Legislação e Ética, a engenheira agrônoma Vitória Teixeira destacou o esforço coletivo na organização do evento: “Estamos preparando esse momento desde março. É muito gratificante ver a resposta do público e o interesse dos jovens engenheiros. As inscrições esgotaram em menos de 48 horas, o que mostra o quanto essa troca é necessária”, contou.
Por isso, a coordenação do Programa Jovem Engenheiro já planeja ampliar o número de encontros e capacitações no próximo ano. Para João Vitor, o sucesso da primeira edição mostra o potencial de expansão do projeto. “Para 2026, queremos promover mais encontros presenciais, com temas como metodologia BIM, cidades inteligentes e novas tecnologias aplicadas à engenharia. Nosso propósito é ajudar jovens profissionais a encontrarem seu caminho, seja empreendendo, seguindo na carreira técnica ou acadêmica”.

Palestras e networking
O encontro foi concluído com palestras que combinaram reflexão, prática e orientação de carreira, reforçando o papel transformador da engenharia na sociedade. O palestrante Felipe Yamashita, engenheiro químico com atuação em RH na indústria, trouxe um recado prático sobre inserção profissional e competição no mercado: “vou apresentar um pouquinho sobre as oportunidades e desafios do mercado privado”, disse, e em seguida orientou os jovens a buscarem caminhos estratégicos além das grandes portas de entrada — “nem sempre pelas vias mais conhecidas desses grandes programas” — mostrando alternativas para construir carreira de forma gradual.
O professor Dr. Cleidson Carneiro Guimarães (UFRB) destacou a necessidade da humildade intelectual e do aprendizado contínuo: “perceber-se como ausente de saberes é uma sabedoria fundamental”, afirmou, e reforçou que a melhor postura diante da vastidão de conhecimento é manter-se aberto ao novo e ao diálogo entre gerações.
Ainda durante a conversa com os jovens profissionais, o advogado e doutor em Direito Urbanístico pela PUC-SP, Wilson Levy, fez um apelo à curiosidade e ao exemplo profissional: “o engenheiro é um grande resolvedor de problemas”, lembrou, e aconselhou os jovens a “cultivarem um profundo sentimento de curiosidade pelo mundo”. Levy também enfatizou a importância da leitura e da formação por exemplo: “sejam bons leitores de jornais” — e lembrou que buscar referências inspiradoras ajuda a traçar metas e a construir uma carreira sólida.

Camila Fiuza
Assessora de Imprensa – Apex