A ferrovia que atravessará o Estreito de Fehmarn
A ferrovia que atravessará o Estreito de Fehmarn, por meio do Túnel de Fehmarnbelt, ligando a ilha dinamarquesa de Lolland à ilha alemã de Fehmarn. Trata-se de uma das maiores obras de infraestrutura da Europa.
As principais características do projeto são:
- Extensão de aproximadamente 18,1 km sob o Mar Báltico.
- Duas linhas ferroviárias eletrificadas de alta capacidade e uma rodovia de quatro faixas.
- Investimento estimado em cerca de € 7,4 bilhões.
- Previsão de conclusão para 2029.
Como ele é construído?
Ao contrário do Eurotúnel, que foi escavado na rocha, o Fehmarnbelt utiliza a técnica de túnel imerso:
- Gigantescos módulos de concreto, com cerca de 217 metros de comprimento e pesando aproximadamente 73 mil toneladas, são fabricados em terra.
- Esses módulos são rebocados até o local da obra.
- São afundados cuidadosamente em uma vala preparada no fundo do mar.
- Depois, são conectados entre si e cobertos por material de proteção.
Por que ele pode transformar o comércio?
O túnel fará parte do principal corredor logístico entre a Escandinávia e a Europa Central. Entre os benefícios esperados estão:
- redução do tempo de travessia de cerca de 45 minutos de balsa para apenas 7 minutos de trem;
- maior velocidade e previsibilidade no transporte de cargas;
- incentivo ao transporte ferroviário, que emite menos carbono que caminhões e aviões;
- fortalecimento das cadeias logísticas entre países como Suécia, Noruega, Dinamarca e Alemanha.
Vale observar que algumas manchetes afirmam que o projeto “transformará o comércio global”. Essa é uma formulação jornalística um pouco exagerada. O impacto será muito significativo para o comércio europeu, especialmente nas rotas entre a Escandinávia e o restante do continente, mas não alterará sozinho a estrutura do comércio mundial, que continua sendo dominado pelo transporte marítimo de longa distância.
Comparação: Túnel de Fehmarnbelt × Ferrovia Bioceânica Brasil–Peru
A diferença fundamental é a escala.
O Túnel de Fehmarnbelt elimina um gargalo específico entre a Dinamarca e a Alemanha. É uma obra de engenharia extraordinária, mas com impacto predominantemente regional.
Já a Ferrovia Bioceânica pretende mudar a geografia econômica da América do Sul. A ideia é que produtos do Centro-Oeste, Norte e parte do Nordeste do Brasil possam chegar aos portos do Pacífico e seguir diretamente para mercados asiáticos, reduzindo a dependência de rotas pelo Canal do Panamá ou pela navegação em torno do continente.
Impacto para o Brasil
Se for concluída, os maiores beneficiados tendem a ser:
- Mato Grosso;
- Mato Grosso do Sul;
- Rondônia;
- Acre;
- Oeste da Bahia, dependendo das conexões ferroviárias futuras.
Para exportações destinadas à China, a redução de distância e de tempo pode tornar diversos produtos brasileiros mais competitivos.
Os desafios
A ferrovia sul-americana enfrenta obstáculos muito maiores que o projeto europeu:
- travessia da Cordilheira dos Andes;
- questões ambientais, especialmente em áreas sensíveis;
- necessidade de coordenação entre vários países;
- investimentos de dezenas de bilhões de dólares;
- harmonização de normas alfandegárias e operacionais.
Qual terá maior importância?
Sob o aspecto da engenharia, o Túnel de Fehmarnbelt é a obra mais sofisticada.
Sob o aspecto econômico e geopolítico, porém, a Ferrovia Bioceânica tem potencial para produzir uma transformação mais ampla. Se plenamente implantada e integrada aos portos do Pacífico, ela poderá alterar de forma significativa os fluxos comerciais da América do Sul, fortalecendo a integração regional e aproximando o Brasil dos mercados asiáticos. Esse potencial, entretanto, depende de superar desafios políticos, financeiros e ambientais que ainda impedem a conclusão do projeto.