Iniciativa da UFRB busca impulsionar presença feminina nas ciências
Uma iniciativa encabeçada pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) visa fortalecer a inclusão e o protagonismo femininos nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação através de pesquisas em biocombustíveis, energia e sustentabilidade como estratégias para aproximar as meninas da Educação Básica da comunidade científica. Recentemente, o projeto Biocombustíveis para um Futuro Sustentável: Inspirando Meninas e Mulheres na Ciência (Biofemme) adquiriu projeção internacional ao apresentar seus estudos em duas importantes conferências na Europa.
Idealizadora e coordenadora do Biofemme, a engenheira química e professora da UFRB Carine Tondo Alves representou o Brasil em eventos científicos na Itália e na Inglaterra, em maio deste ano, contribuindo para aumentar a visibilidade global do projeto e buscar novas parcerias acadêmicas. Na Industrial Biotechnology International Conference (IBIC 2026), na cidade italiana de Palermo, Carine apresentou dois trabalhos desenvolvidos por bolsistas da rede estadual de ensino, focados em soluções sustentáveis a partir de biomassa – um de biodiesel e um de biogás.
Os estudos apresentados na ocasião foram Avocado-Based Biodiesel as a Tool for Sustainable Energy and Gender Equity in Science (Biodiesel à Base de Abacate como Ferramenta para Energia Sustentável e Equidade de Gênero na Ciência), elaborado por bolsistas do Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) de Araci; e Biomethane Potential of School Food Residues in a Gender-Inclusive Research Initiative (Potencial de Biometano de Resíduos Alimentares Escolares em uma Iniciativa de Pesquisa Inclusiva em Termos de Gênero), desenvolvido por bolsistas do Colégio Estadual Teotônio Vilela, em Feira de Santana.
Além da sua participação na Itália, a Carine teve ainda seu passaporte carimbado para Birmingham, na Inglaterra, apresentando de forma geral o Biofemme a convite da Aston University. De acordo com a pesquisadora, a agenda internacional abre portas para novas conexões acadêmicas e cooperações. “A gente tem possibilidade de realizar grandes parcerias com a inclusão de meninas e mulheres na ciência, porque elas estão muito interessadas nesse assunto também”, completa.
Criado no âmbito da Chamada CNPq/MCTI/MMulheres nº 31/2023 – Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, tendo a UFRB como instituição executora, o Biofemme é um grupo de pesquisa colaborativo que tem como foco principal a aplicação de conceitos de Química, Física e Biologia à realidade das estudantes do Ensino Fundamental e Médio da rede pública estadual da Bahia. Na condição de bolsistas, elas desenvolvem pesquisas voltadas prioritariamente à valorização de biomassas e resíduos disponíveis em suas próprias regiões para fins energéticos e tecnológicos.
Cabe a Carine Alves a coordenação do projeto, tendo como coordenador-adjunto o também engenheiro químico Luciano Hocevar, ex-conselheiro do Crea-BA. Ambos atuam como docentes do curso de Engenharia de Energias, no Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (Cetens) da UFRB, em Feira de Santana.
“Seu principal objetivo é criar oportunidades para que meninas e mulheres possam ingressar, permanecer e construir suas trajetórias na ciência, ao mesmo tempo em que desenvolvem pesquisas relacionadas a problemas e recursos presentes em seus próprios territórios”, afirmam os coordenadores.
Eles acrescentam que, na prática, o Biofemme funciona por meio da articulação entre escolas públicas, universidades, instituições de pesquisa, professoras, pesquisadoras e estudantes. Nessa perspectiva, as meninas participam de atividades de iniciação científica, desenvolvem projetos de pesquisa, frequentam laboratórios e recebem orientação e formação. Ademais, o projeto também promove palestras, oficinas, treinamentos, visitas técnicas, workshops e ações de divulgação científica, sempre com acompanhamento de pesquisadoras, oportunizando a criação de um ambiente de incentivo e formação científica contínua.
Além da UFRB, a iniciativa contempla a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o Senai Cimatec, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba) e as escolas públicas participantes, sendo estruturada como uma rede regional. “Essa articulação permite aproximar as estudantes de instituições de ensino, pesquisa e inovação localizadas em diferentes regiões do estado, fortalecendo a conexão entre escola e ambiente científico”, explicam Carine e Hocevar.
O Biofemme marca presença em diferentes regiões da Bahia, atuando em cinco dos 27 Territórios de Identidade do estado – Portal do Sertão (Feira de Santana), Território do Sisal (Araci, Cansanção e Teofilândia), Litoral Sul (Itabuna), Vale do Jiquiriçá (Amargosa) e Metropolitano de Salvador (Salvador). “Essa abrangência territorial permite aproximar meninas de diferentes contextos sociais e regionais dos ambientes de pesquisa e formação científica”, justificam os coordenadores do projeto.
Desde 2025 – quando as atividades do Biofemme tiveram início, atuando em sete escolas públicas da Bahia e mobilizando 28 bolsistas de Iniciação Científica Júnior (ICJ) –, 32 meninas da Educação Básica baiana já foram diretamente beneficiadas com atividades de iniciação científica, transformando oportunidades em conhecimento, descobertas e novas possibilidades de futuro. Atualmente, a iniciativa conta com 8 bolsistas ICJ de cinco escolas públicas, que elaboram projetos de pesquisa sob orientação e acompanhamento de docentes e pesquisadores integrantes do grupo.
Os coordenadores frisam que, em paralelo, novas escolas estão em processo para integrar as próximas etapas do projeto. “Essa renovação é parte importante da dinâmica do Biofemme, pois permite ampliar progressivamente sua abrangência e proporcionar a experiência da iniciação científica a estudantes de diferentes escolas e territórios. Assim, ao mesmo tempo em que algumas meninas avançam e aprofundam suas trajetórias na pesquisa, novas estudantes têm a oportunidade de ingressar no projeto e vivenciar a ciência de forma prática”, salientam Carine Alves e Luciano Hocevar.
Para eles, a importância do Biofemme reside em atuar simultaneamente em duas questões relevantes para a sociedade – a participação das meninas nas ciências, mostrando que esses espaços também podem fazer parte de seus projetos de futuro, e a busca por soluções sustentáveis para o aproveitamento de biomassas e resíduos, visando à produção de energia e biocombustíveis.
“O impacto, portanto, vai além da formação científica: envolve educação, inclusão, sustentabilidade, valorização dos recursos regionais e formação de uma nova geração de meninas com experiência em ciência e inovação”, finalizam os professores da UFRB e coordenadores da iniciativa.
Com informações dos portais da UFRB e De Olho na Cidade
Fonte: CREA-BA — https://www.creaba.org.br/iniciativa-da-ufrb-busca-impulsionar-presenca-feminina-nas-ciencias/