Sexta da Construção debateu o uso de dados estratégicos para orientar o futuro da infraestrutura na Bahia
O Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA) realizou, nesta sexta-feira (4), mais uma edição da Sexta da Construção. Com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA) e da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o encontro reuniu profissionais e representantes do setor para discutir o tema “Decisão com base em dados estratégicos”.
Realizado no auditório do Sindicato, o evento teve como proposta ampliar a compreensão sobre os cenários que influenciam o setor da construção e o desenvolvimento da Bahia, colocando em evidência indicadores relacionados à infraestrutura, mobilidade, saneamento, abastecimento e tratamento de água. A programação contou com as participações do assessor da presidência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Alexandre Borsato, e do administrador de empresas e gerente do Observatório da Indústria da Fieb, Ricardo Menezes Kawabe e teve como moderador o conselheiro do Confea, engenheiro civil Osmar Barros.
Infra-BR apresenta um retrato da infraestrutura baiana
Durante sua apresentação, Alexandre Borsato detalhou o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), ferramenta desenvolvida pelo Confea para oferecer um diagnóstico multidimensional da infraestrutura brasileira e subsidiar o planejamento e a tomada de decisões no setor público.
O índice reúne 67 indicadores distribuídos em seis dimensões: Energia e Conectividade; Mobilidade; Água; Bem-Estar e Cidadania; Meio Ambiente e Resiliência; e Saneamento Básico. A proposta é permitir uma leitura integrada da realidade da infraestrutura, identificando fragilidades e apontando áreas que demandam maior atenção e investimentos.
Na oportunidade, Borsato apresentou um recorte específico dos dados do Infra-BR para a Bahia e também analisou a realidade de dez municípios baianos, trazendo indicadores que permitem visualizar diferentes aspectos da infraestrutura nas cidades, como os índices relacionados ao saneamento.
A partir dos dados, Borsato destacou como a capacidade de investimento e a qualidade da infraestrutura estão diretamente relacionadas aos resultados apresentados pelos territórios, reforçando a importância de políticas públicas planejadas a partir de evidências.
Outro ponto de preocupação apresentado foi a formação de profissionais. Segundo Borsato, a redução da formação acadêmica nos últimos anos acende um alerta para a disponibilidade futura de mão de obra qualificada, especialmente diante da necessidade de ampliar os investimentos e a capacidade de execução de projetos de infraestrutura.
Dados como instrumento de decisão
Mais do que apresentar números, a participação de Borsato reforçou a necessidade de transformar dados em instrumentos efetivos de planejamento. O Infra-BR foi desenvolvido justamente para permitir que gestores públicos, profissionais e sociedade tenham acesso a informações organizadas sobre a infraestrutura e possam identificar prioridades de maneira mais objetiva.
Para Borsato, o objetivo é que o Infra-BR deixe de ser apenas uma plataforma de consulta e passe a integrar efetivamente os processos de decisão dos gestores públicos. A expectativa é de que os dados sejam utilizados para fundamentar escolhas, estabelecer prioridades e direcionar investimentos de forma mais assertiva, com base em informações sólidas e comparáveis.
A proposta dialoga diretamente com os desafios apresentados pelo setor da construção, que depende de planejamento de longo prazo e de investimentos consistentes em infraestrutura para ampliar sua capacidade de geração de emprego, renda e desenvolvimento.
Bahia em foco
O debate sobre infraestrutura ganha ainda mais relevância diante dos indicadores apresentados para a Bahia. Em levantamento divulgado pelo Confea, o estado ocupou a 14ª posição no ranking nacional do Infra-BR, com nota 47, abaixo da média brasileira de 56,92. O resultado evidencia a necessidade de atenção a diferentes dimensões da infraestrutura e reforça o papel do planejamento para a definição das prioridades de investimento.
Ao levar a discussão para a realidade de municípios baianos, a apresentação mostrou também a importância de observar as desigualdades existentes dentro do próprio estado. A análise municipal permite identificar necessidades específicas e compreender onde investimentos em áreas como saneamento, água, mobilidade e conectividade podem produzir impactos mais significativos.
Construção de conhecimento e diálogo com o setor
A Sexta da Construção proporciona um espaço para perguntas, esclarecimento de dúvidas e troca de experiências em diversos temas de interesse da sociedade. O formato reforça a proposta do encontro de aproximar diferentes atores ligados à construção e ao desenvolvimento econômico da Bahia.
Para o Crea-BA, iniciativas como essa contribuem para ampliar o debate sobre a importância da Engenharia, da Agronomia e das Geociências na construção de soluções para os desafios de infraestrutura do estado.
O evento contou com as presenças do presidente e vice do Sinduscon-BA, Eduardo Bastos e Geraldo Menezes, respetivamente.
Felipe Zamarioli
Fonte: CREA-BA — https://www.creaba.org.br/sexta-da-construcao-debateu-o-uso-de-dados-estrategicos-para-orientar-o-futuro-da-infraestrutura-na-bahia/