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Paisagismo urbano é atividade de profissionais das ciências agrárias

O paisagismo urbano ainda é pouco compreendido perante à sociedade. A ideia de tornar as cidades “mais verdes” ainda carrega alguma resistência, principalmente quando se associa a atividade a administração de produtos químicos e a falta de acompanhamento técnico especializado. Os profissionais das ciências agrárias registrados no Sistema Confea/Crea são preparados tanto para o manejo como para os tratos culturais das áreas urbanas, respeitando o conceito básico de preservação e as limitações no uso de agroquímicos.

De acordo com o engenheiro agrônomo e especialista da área, Kadjon Layno, atualmente o paisagismo urbano vem sofrendo com o excesso de amadorismo. “Falta acompanhamento técnico especializado que contribua para o uso indiscriminado de produtos com alta toxicidade e com registro para uso apenas em áreas agrícolas. Muitas vezes no deparamos com grandes áreas verdes (públicas e privadas) que não são assistidas por profissionais responsáveis técnicos (engenheiros agrônomos) e isso, acarreta danos à saúde humana, de animais domésticos e prejuízos técnicos/financeiros no projeto paisagístico urbano”, informa.

O profissional reivindica a intensificação da fiscalização dos órgãos responsáveis, exigindo de condomínios, construtoras e prefeituras os contratos de prestação de serviços voltados as áreas verdes com emissão de ART – Anotação de Responsabilidade Técnica de engenheiro agrônomo para elaboração do projeto paisagístico, execução e manutenções periódicas. “Assim, coibirá, significativamente, a atuação de empresas e curiosos desqualificados. Para os contratantes, vale a pena ressaltar, ter atenção no momento da contratação desses profissionais pode evitar sérios problemas no futuro”, orienta.

O engenheiro, por ter muitos anos de experiência nessa área, sugere ainda que o contratante verifique a formação profissional, a qualificação técnica e se possível, solicite apresentação de CAT (Certidão de Acervo Técnico) que comprova a experiência no serviço que será prestado. “Além dessa preocupação, os profissionais contratados para execução de paisagismo e jardinagem têm exigências da categoria, uso de EPIs, treinamentos e exames que devem ser aplicados para evitar corresponsabilidades e passivos no futuro. O paisagismo urbano é contemplativo, dá vida aos espaços, atribui harmonia e equilíbrio, mas também pode matar”, alerta Kadjon Layno.

O paisagismo urbano é importante para as cidades porque influencia diretamente no conforto térmico, confere identidade aos ambientes com uma beleza viva e torna os espaços mais contemplativos. Entre os benefícios da atividade estão o surgimento de espaços de lazer e convivência, melhoria da qualidade do ar, aumento da permeabilidade do solo, reestabelecimento da biodiversidade e conforto térmico para as cidades.

Do ponto de vista social, o engenheiro agrônomo sinaliza que o pleno desenvolvimento das cidades exige um planejamento paisagístico capaz de transformar espaços públicos em ambientes mais acessíveis e seguros. Esse planejamento promove a integração entre vizinhos, o pertencimento comunitário, a redução da segregação sócio-espacial e o desestímulo a práticas criminosas. “Ao reverter a sensação de abandono e exclusão social, essas áreas verdes despertam nos moradores o desejo de mantê-las preservadas. Isso estimula o engajamento local na criação de eventos, hortas comunitárias e no cuidado compartilhado de praças, parques e bosques, gerando um impacto direto na saúde mental e no bem-estar comum”, complementa.

De acordo com Kadjon Layno, o crescimento das cidades sem planejamento urbano gera impactos negativos severos que afetam diretamente na qualidade de vida da população porque reduz, significativamente, a harmonia, sustentabilidade e funcionalidade necessárias para o convívio diário em momentos de deslocamento, de contemplação visual, de qualidade dos espaços, da saúde e meio ambiente do desenvolvimento econômico e equidade social.

“Reflexo desse desequilíbrio, observamos as ocupações irregulares, poluição, trânsito caótico e déficit de saneamento. Quando o planejamento urbano é bem elaborado e acompanhado por profissionais, as cidades se desenvolvem voltadas para o bem-estar de toda a população e isso, contribui diretamente ao desenvolvimento de ambientes voltados para natureza, organização de parques e um paisagismo que cria harmonia e satisfação de morar ali”, complementa.

Entre as referências mundiais no paisagismo urbano estão as cidades de Nova Iorque, Cingapura, Medelin e Amsterdã. No Brasil as cidades de Maringá, Curitiba e Goiânia estão entre as mais verdes e planejadas. Sobre desafios do paisagismo urbano, o engenheiro Kadjon Layno destaca que a atividade é bem-sucedida quando é atribuída a profissionais competentes que têm conhecimento sobre água, solo e planta. “O paisagismo urbano exige planejamento, técnica de implantação e manutenção adequada para cada época do ano. As podas devem ser realizadas para o bem-estar das árvores e não da rede elétrica e o plantio deve ser realizado seguindo parâmetros nas escolhas das espécies (preferencialmente nativas), estudo do espaço, altura e profundidade. Deve seguir também cronogramas de adubação e manejo Integrado de Pragas”, reforça.

Nadja Pacheco

Fonte: CREA-BAhttps://www.creaba.org.br/paisagismo-urbano-e-atividade-de-profissionais-das-ciencias-agrarias/

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